18 de setembro de 1993: Tanto tem acontecido, tanto tem sido perdido nestas duas últimas semanas, que eu dificilmente consigo me forçar pra começar a escrever sobre isso. Eu estou vivo e em boa saúde, ainda que haja momentos quando eu invejo as dezenas de milhões de pessoas que morreram nos últimos dias. Minha alma secou dentro de mim; eu estou como um morto ambulante.Tudo o que eu tenho sido capaz de pensar -- tudo o que tem corrido pela minha mente, de novo e de novo, é o único e chocante fato: Katherine se foi! Antes de hoje, quando eu não estava absolutamente certo do destino dela, aquele fato me atormentava e não me dava nenhum descanso. Agora que eu sei que ela está morta, no entanto, o tormento se foi, e eu sinto simplesmente um grande vazio, uma perda insubstituível.
Há trabalho importante para eu fazer, e eu sei que eu devo agora tirar o passado da minha mente e continuar com isso. Mas hoje à noite eu devo recordar minhas memórias, meus pensamentos. No caos desses dias, milhões morrem sem deixar uma lápide sequer -- eles serão esquecidos para sempre, sem nome para sempre -- mas eu posso ao menos colocar nestas páginas superficiais minha memória de Katherine, e os eventos que ela e nossos outros camaradas ajudaram a formar, e eu espero que meu diário sobreviva além de mim. Isto, ao menos, nós devemos aos nossos mortos, aos nossos mártires; de que nós não vamos nos esquecer deles ou de suas ações.
Era 7 de setembro, uma quarta-feira, quando eu terminei de instalar nossa terceira bomba. Eu e dois outros membros do nosso time-da-bomba, a pegamos na segunda-feira do esconderijo onde a última ogiva está ainda escondida, e nós a levamos para Maryland. Eu já tinha apontado no mapa a localização onde eu queria instalá-la, mas os movimentos de tropas estavam tão pesados aquela semana por toda a área de Washington que nós tivemos que esperar em Maryland praticamente três dias por uma oportunidade de nos aproximarmos do lugar-alvo.
O tráfego de veículos civis tem estado bem engarrafado na área de Washington por barreiras policiais, partes restritas em muitas autopistas, pontos de inspeção, e por aí vai, mas aquela semana ele se tornou praticamente impossível. No caminho de volta para nossa loja gráfica e centro de operações, as rodovias estavam congestionadas por longas filas de veículos civis, todos indo na direção oposta e empilhados até o teto com pertences domésticos pendurados à portas, toldos e tetos. Então, à uma milha e meia da loja, eu cheguei a uma nova barreira militar de tráfego, que não estava lá quando eu parti. Rolos de arame farpado estavam enfileirados pela pista, e um tanque estava estacionado entre as cercas de arame.
Eu dei a volta e tentei outra rua; ela estava bloqueada também. Eu gritei para um soldado que estava além da barreira, dizendo-lhe que eu estava apressado e pedindo para ele desbloquear a rua para que eu pudesse passar. "Você não pode ir lá de qualquer jeito", ele gritou de volta. "Esta é uma área de segurança. Todo mundo foi evacuado esta manhã. Qualquer civil que apareça dentro do perímetro será fuzilado no ato."
Eu estava atordoado. O que teria acontecido com Katherine e os outros?Aparentemente as autoridades militares subitamente estenderam o raio da área de segurança em volta do Pentágono do seu raio inicial de duas milhas para três milhas sem nenhum aviso. Nossa loja tinha estado a uma segura meia-milha de distância fora do perímetro antigo, e nunca tinha ocorrido a nós que esse perímetro pudesse ser estendido. Mas foi estendido, evidentemente para evitar que a Organização plantasse uma bomba nuclear perto o suficiente para pegar o Pentágono. Na verdade, eu considerei o antigo perímetro uma proteção adequada para nossas ogivas de 60 kilotons, desde que o Pentágono já a muito tempo tinha se equipado com placas anti-impacto em todas as janelas e cercou-se de defletores de explosão de concreto reforçado. Eu tenho tentado sem sucesso imaginar como colocar uma bomba dentro do perímetro desde que eu cheguei de volta à Washington vindo da Califórnia.
Eu dirigi para nosso ponto de encontro de emergência de nossa unidade a algumas milhas ao sul de Alexandria, mas não havia ninguém e nenhuma mensagem para mim. Eu não tive como contatar o Comando de Campo de Washington (WFC) para descobrir onde Katherine, Bill e Carol estavam, porque todo o nosso equipamento de comunicação estava na loja. Mas o fato de que eles não estavam no ponto de reencontro me fez ter quase certeza de que eles tinham sido presos.
Já era quase meia noite, mas eu imediatamente me dirigi para o norte novamente, em direção à área onde os evacuados, pelos quais eu passei anteriormente, estavam sendo enviados. Eu pensei que eu poderia encontrar alguém que tivesse vivido nas proximidades de nossa loja que pudesse me dizer sobre o que aconteceu aos meus camaradas. Era um pensamento perigosamente tolo, nascido da minha sensação de desespero, e eu provavelmente tive sorte de que um comboio de caminhões militares tivesse bloqueado a autopista de tal maneira que eu finalmente fui obrigado a sair da estrada e dormir até a manhã.
Quando eu finalmente alcancei a área de refugiados mais tarde naquele dia, eu logo percebi que a chance de eu obter a informação que eu procurava era muito improvável. Um mar de tendas do exército tinham sido montadas em um gigantesco parque de estacionamento de um supermercado suburbano e num campo vizinho. Em torno do limite do acampamento havia uma enorme fileira de cabines de banheiros externos químicos, veículos civis ainda empilhados até o topo com pertences domésticos, refugiados e soldados.
Eu perambulei através da multidão densa por quase três horas e não vi nenhuma face familiar. Eu tentei perguntar a algumas poucas pessoas aleatoriamente, mas eu não consegui nada. As pessoas estavam assustadas e só me davam respostas evasivas, ou simplesmente nenhuma resposta. Todos estavam num estado miserável e chocados, mas não queriam mais nenhuma encrenca do que eles já tinham, e perguntas sobre prisões que eles pudessem ter presenciado soava encrenca para eles.
Assim que eu passei por uma tenda com o dobro do tamanho das outras, eu ouvi gritos abafados, choros e soluços histéricos vindo de dentro, intercalados com altas e vulgares risadas masculinas e gracejos. Uma dúzia de soldados Negros estava alinhada na entrada.
Eu parei para descobrir o que estava acontecendo, justamente quando dois soldados Pretos sorrindo maliciosamente forçaram o caminho através da multidão em frente à tenda e entraram, arrastando uma aterrorizada e soluçante menina Branca de uns 14 anos entre os dois. A fila de estupro se moveu para outro espaço.
Eu me dirigi rapidamente para um oficial Branco vestindo uma insígnia de major que estava parado a somente 50 jardas dali. Eu comecei a protestar raivosamente sobre o que estava acontecendo, mas antes que eu tivesse terminado minha primeira sentença o oficial se voltou vergonhosamente para longe de mim e correu na direção oposta. Dois soldados Brancos que estavam próximos abaixaram seus olhares e desapareceram por entre duas tendas. Ninguém queria ser suspeito de "racismo". Eu lutei contra um incontrolável e fortíssimo impulso de puxar minha pistola e começar a fuzilar todos à vista, e então fugir.
Eu dirigi até o local onde eu estava ainda razoavelmente seguro de que ainda era administrado pelo pessoal da Organização: a velha loja de presentes em Georgetown. Ela ficava exatamente do lado de fora do novo perímetro de segurança do Pentágono. Eu cheguei lá assim que o anoitecer estava caindo e eu estacionei a caminhonete na entrada traseira de serviço.
Eu tinha acabado de pular da caminhonete e andado alguns passos nas sombras detrás do edifício quando o mundo a minha volta subitamente iluminou-se, claro como se fosse de dia, por um momento. Primeiro houve um intenso flash claro de luz, então um brilho que foi enfraquecendo que lançava sombras em movimento, e mudava de branco para amarelo, e depois para vermelho no período de alguns poucos segundos.
Eu corri para a área aberta, para que eu pudesse ter uma visão mais desobstruída do céu. O que eu vi gelou meu sangue e me arrepiou o cabelo da nuca. Uma imensa, brilhante coisa em forma de bulbo, em uma cor vermelho-rubi misturada na maior parte, mas com estrias escuras e também manchada com um mutante padrão áreas de laranja e amarelo brilhantes, estava se elevando no céu do norte e lançando sua horrível luz vermelho-sangue sobre a terra abaixo. Era verdadeiramente uma visão do inferno.
Enquanto eu assistia, a gigantesca bola de fogo continuou a se expandir e subir, e uma coluna escura, como o caule de um enorme cogumelo, se tornou visível abaixo daquilo. Brilhantes, línguas-de-fogo de um azul-elétrico podiam ser vistas relampejando e dançando sobre a superfície da coluna. Eles eram gigantescos raios, mas naquela distância nenhum trovão podia ser ouvido deles. Quando o ruído finalmente chegou, foi um som surdo e abafado, mas ainda assim arrasador: o tipo de som que alguém esperaria ouvir de um poderosamente inimaginável terremoto atingindo uma grande cidade e causando uma centena de arranha-céus de 100 andares desmoronarem em ruínas simultaneamente.
Eu percebi que eu estava testemunhando a aniquilação da cidade de Baltimore, 35 milhas dali, mas eu não pude entender a enorme magnitude da explosão. Poderia uma de nossas bombas de 60 kilotons ter feito aquilo? Isso parecia mais o que alguém esperaria de uma bomba na escala dos megatons.
Os relatórios de notícias do governo naquela noite e no dia seguinte alegaram que a ogiva que destruiu Baltimore, matando mais de um milhão de pessoas, assim como as explosões que destruíram outras meia-dúzia de cidades grandes Norte-Americanas no mesmo dia, tinham sido lançadas por nós. Eles também alegavam que o governo tinha contra-atacado e destruído o "ninho de víboras racistas" na Califórnia. Assim que aquilo foi acabando, ambas as alegações se mostraram falsas, mas durou dois dias antes que eu soubesse a história completa do que tinha realmente acontecido.
Enquanto isso, foi com um sentimento de profundo desespero que eu e uma meia-dúzia de outros que estávamos cercados em torno do aparelho de televisão no escuro porão da loja de presentes naquela noite, ouvimos um apresentador de notícias malignamente exultando e anunciando a destruição de nossa zona liberada na Califórnia. Ele era um Judeu, e ele realmente deixou suas emoções dirigi-lo; eu nunca tinha ouvido ou visto algo como aquilo.
Depois de uma solene enumeração da maioria das cidades que haviam sido atingidas naquele dia, com estatísticas preliminares de mortos (exemplo: ... e em Detroit, que os demônios racistas golpearam com dois dos seus mísseis, eles assassinaram mais de 1 milhão e 400 mil inocentes homens, mulheres e crianças americanos de todas as raças...) , ele chegou a Nova York. Nesse ponto lágrimas apareceram em seus olhos e sua voz travou-se.
Entre soluços ele noticiou com dificuldade que 18 explosões nucleares separadas nivelaram Manhattan, municípios vizinhos e os subúrbios além de um raio de 20 milhas, com um número estimado de 14 milhões de mortos instantaneamente e talvez outros 5 milhões esperados a morrer de queimaduras ou doenças da radiação nos próximos dias. Então ele deslizou para Hebraico e começou um estranho canto de lamento, enquanto lágrimas rolavam pelo seu rosto e seus punhos fechados batiam em seu peito.
Depois de alguns segundos disso ele se recobrou, e seu comportamento mudou completamente. Angústia e agonia foram substituídas primeiro por um ódio incandescente por aqueles que tinham destruído sua amada, Judaica New York City, então por uma expressão de maliciosa satisfação que gradualmente se tornou em uma maligna exaltação: " Mas nós tivemos nossa vingança contra nossos inimigos, e eles não existem mais. De novo, através da história, as nações tem se levantado contra nós e tentado nos expulsar ou nos matar, mas nós temos sempre triunfado no final. Ninguém pode resistir a nós. Todos as nações que tentaram -- Egito, Pérsia, Roma, Espanha, Rússia, Alemanha -- foram elas próprias destruídas, e nós sempre emergimos triunfantes das ruínas. Nós temos sobrevivido e prosperado. E agora nós esmagamos completamente o último que levantou suas mãos contra nós. Assim como Moisés golpeou os Egípcios, nós também esmagamos a Organização.
Sua língua tremulava molhadamente sobre seus lábios e seus olhos escuros vislumbravam profundamente enquanto ele descrevia a barragem, a chuva de aniquilação nuclear que ele dizia ter sido disparada contra a Califórnia na mesma tarde. "A preciosa superioridade racial deles não os ajudou nem um pouco quando nós lançamos centenas de mísseis nucleares na fortaleza racista", o apresentador gritava. "Os vermes Brancos morreram como moscas. Nós somente podemos esperar que eles perceberam nos seus últimos momentos que muitos dos soldados leais que pressionaram os botões de lançamento dos mísseis que mataram eles eram Negros, ou Chicanos ou Judeus. Sim, os Brancos e seu criminoso orgulho racial foi varrido da Califórnia, mas agora nós devemos matar os racistas em todos os outros lugares, para que a harmonia racial e a irmandade possa ser restaurada na América. Nós devemos matá-los! Matá-los! Matá-los! Matá-los ! Matá-los !..."
Então ele deslizou para Hebraico de novo, e sua voz começou a se tornar mais alta e áspera. Ele se levantou e inclinou-se para a câmera, uma encarnação de puro ódio, enquanto ele guinchava e xingava em sua língua estrangeira, filetes de saliva voando de sua boca e pingando por seu queixo.
Essa extraordinária performance deve ter sido embaraçosa para alguns dos seus congêneres menos emocionais, porque ele foi subitamente cortado em meio dos guinchos e substituído por um Gentio, que continuou a emitir as estimativas de mortos revisadas nas primeiras horas da manhã.
Gradualmente, durante as 48 horas seguintes, nós soubemos a verdadeira história daquela terrível Quinta-feira, tanto dos relatórios de notícias mais precisos do governo como de nossas próprias fontes. As primeiras e mais importantes notícias que nós recebemos vieram logo cedo na manhã de Sexta, numa mensagem codificada do Comando Revolucionário para todas as unidades da Organização ao redor do país: A Califórnia não foi destruída!
Vandenberg foi aniquilada, e dois grandes mísseis atingiram a cidade de Los Angeles, causando vasta destruição e mortes, mas ao menos 90 % das pessoas na zona liberada sobreviveram, em parte porque lhes foi dado um alerta de avanço de alguns minutos e foram capazes de procurar abrigo.Infelizmente para as pessoas em outras partes do país, não houve nenhum aviso de avanço, e o número total de mortos -- incluindo aqueles que morreram de queimaduras, outros ferimentos e radiação nos últimos 10 dias -- é de aproximadamente 60 milhões. Os mísseis que causaram essas mortes, no entanto, não foram nossos -- exceto no caso de Nova York, que recebeu uma barragem primeiramente de Vandenberg e depois da União Soviética.
Baltimore, Detroit e outras cidades Norte-Americanas que foram atingidas -- mesmo Los Angeles -- foram todas vítimas de mísseis soviéticos. Vandenberg AFB tinha sido o único alvo doméstico atingido pelo governo dos Estados Unidos.A cataclísmica cadeia de eventos começou com uma decisão extraordinariamente dolorosa tomada pelo Comando Revolucionário. Relatórios recebidos pelo CR na primeira semana deste mês indicavam uma gradual mas firme mudança na balança de poder da facção militar para a facção Judaica, que exigia a imediata aniquilação da Califórnia. Os Judeus temiam que a situação existente entre a zona liberada e o resto do país se tornasse permanente, o que significaria uma vitória quase certa para nós, eventualmente.
Para prevenir isso eles começaram a trabalhar por trás das cenas, na maneira costumeira deles, argumentando, ameaçando, subornando, colocando pressão para acossar os seus oponentes um de cada vez. Eles tinham já conseguido arranjar a substituição de muitos generais de topo com suas próprias criaturas, e o CR viu desaparecer a última chance de evitar uma troca de mísseis nucleares em larga escala com forças do governo.
Então nós decidimos nos adiantar. Nós golpeamos primeiro, mas não nas forças do governo. Nós atiramos todos os nossos mísseis de Vandenberg (exceto uma meia-dúzia com os quais alvejamos Nova York) em dois alvos: Israel e a União Soviética. Assim que nossos mísseis foram lançados, CR anunciou as notícias para o Pentágono via um link de telefone direto. O Pentágono, é claro, teve imediata confirmação nas suas próprias telas de radar e não teve escolha a não ser seguir nossa ação com um imediato ataque nuclear próprio, em ampla escala, contra a União Soviética, numa tentativa de quebrar o máximo possível o potencial retaliatório Soviético.
A resposta Soviética foi horrenda, mas esparsa. Eles atiraram tudo o que eles tinham contra nós, mas simplesmente não era o suficiente. Muitas das maiores cidades Americanas, incluindo Washington e Chicago, foram poupadas.
O que a Organização conseguiu precipitando esta terrível cadeia de eventos foram quatro resultados: Primeiro, ao atingir Nova York e Israel, nós destruímos completamente dois dos principais centros nervosos mundiais Judaicos, e vai levar um tempo para estabelecer uma nova cadeia de comando e voltarem às suas ações reagrupando-se.
Segundo, ao forçar eles a tomar uma ação decisiva, nós empurramos a balança de poder no governo dos Estados Unidos solidamente de volta aos líderes militares. Para todos os propósitos práticos, o país está agora sob um governo militar.
Terceiro, ao provocar um contra-ataque Soviético, nós fizemos muito mais para romper e dividir o Sistema neste país e quebrar o padrão de ordem de vida das massas do que nós teríamos feito usando nossas próprias armas contra alvos domésticos -- e nós ainda temos a maioria de nossas ogivas de 60 kilotons sobrando! Isto será de enorme vantagem para nós nos dias que virão.
Quarto, nós eliminamos o grande fantasma que estava assombrando nossos planos antes: o fantasma de uma intervenção soviética depois que nós e o Sistema tivéssemos lutado até o fim um contra o outro.
Nós nos arriscamos enormemente, claro: primeiro, de que a Califórnia pudesse ser devastada no contra-ataque Soviético -- e em segundo, que as forças armadas dos Estados Unidos perdessem a frieza e usassem seu armamento nuclear contra a Califórnia também, ainda que, exceto por Vandenberg, não havia nenhuma ameaça nuclear lá para ser anulada. Em ambos os casos, as sortes da guerra tem sido, ao menos moderadamente, boas para nós -- ainda que a ameaça do exército norte-americano não está de maneira alguma descartada.
O que nós perdemos, no entanto, é substancial: cerca de um oitavo dos membros da Organização, e aproximadamente um quinto da população Branca do país -- sem mencionar o número desconhecido de milhões de irmãos raciais na Rússia. Felizmente, a mais pesada estatística de mortos aqui neste país foi nas maiores cidades, que são substancialmente não-Brancas.
Enfim, a situação estratégica da Organização em relação ao Sistema está enormemente melhorada, e isso é o que realmente conta. Nós estamos dispostos a ter quantas baixas forem necessárias -- apenas para que o Sistema tenha proporcionalmente mais. Tudo o que importa, no longo caminho, é que quando a fumaça finalmente clarear, o último batalhão no campo seja nosso.
Hoje eu finalmente localizei Bill e descobri o que aconteceu na loja gráfica durante a evacuação. Ele também sofreu uma dolorosa perda pessoal, e sua história foi curta mas direta.
A evacuação da área de segurança expandida do Pentágono foi levada sem nenhum aviso de qualquer tipo. Perto das onze da manhã de 7 de setembro, tanques subitamente apareceram nas ruas e soldados começaram a bater em todas as portas, dando aos ocupantes apenas dez minutos para abandonar suas moradias. Eles eram muito brutais com qualquer um que não se movesse rápido o bastante.
Bill, Carol e Katherine estavam imprimindo folhetos de propaganda na impressora, quando os tanques chegaram, e eles tiveram tempo suficiente apenas para esconder as evidências incriminadoras sob um tapete antes que quatro soldados Negros invadissem a loja. Desde que as tropas não estavam tomando tempo com buscas nos prédios, presumivelmente tudo teria ido bem na loja se não fosse um dos Pretos, que fez um comentário sugestivo a Katherine enquanto ela apressadamente empacotava algumas de suas roupas e outros itens pessoais.
Katherine não disse nada ao Preto, mas o olhar gelado que ela lhe deu aparentemente machucou o seu senso de "dignidade humana" e "amor-próprio". Ele começou aquela conversa-mole chorada "qual é o problema, gata, você não gosta de negros?" de aproximação, que negros descobriram que fazem maravilhas com meninas Brancas politicamente liberais, inculcadas com culpa, que desesperadamente tem medo de serem consideradas "racistas" se elas rejeitam os indesejáveis avanços de sub-humanos Pretos no cio. Quando Katherine tentou sair da loja carregando duas malas pesadas, o 'amoroso' Preto bloqueou a saída e tentou enfiar a mão por sob o vestido dela.
Ela pulou para trás e deu ao Preto um bem-colocado chute no saco, o que imediatamente gelou seu ardor, mas era tarde demais: ele sentiu o coldre de pistola colado em Katherine. Ele gritou o alarme para seus companheiros, e ambos os lados começaram a disparar ao mesmo tempo. Enquanto Katherine e Carol atiravam com suas pistolas, Bill metralhou os soldados Negros com uma metralhadora automática escondida.
Todos os quatro Pretos foram mortalmente feridos, mas não antes de que eles tivessem, por sua vez, ferido cada um dos três brancos. Um dos Pretos cambaleou para fora da loja antes que ele morresse, e Bill, que estava menos seriamente atingido, teve somente um momento para se assegurar de que Katherine estava além de qualquer ajuda antes que ele e Carol fugissem pela parte de trás da loja.
Eles se esconderam no sótão de um edifício adjacente, e buscadores foram incapazes de achá-los. Carol logo ficou tão fraca devido aos seus ferimentos que ela ficou incapaz de se mover, e Bill não estava em uma condição muito melhor. Na noite do dia seguinte ele rastejou-se dolorosamente do seu esconderijo e furtivamente trouxe água para beber, comida e alguns poucos suprimentos médicos dos edifícios vazios na vizinhança antes de retornar a sua esposa.
Carol morreu no quarto dia, e levaram ainda outros cinco dias antes que Bill tivesse recuperado forças suficientes para deixar o sótão novamente e sair da zona de segurança.
Eu sei que Bill nunca mentiria para mim, e portanto, eu tenho ao menos o consolo de saber que Katherine não caiu nas mãos do inimigo viva. O que eu devo fazer agora é devotar-me todo o tempo que me sobra para a tarefa de assegurar que ela não morreu em vão.
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