O Diário de Turner

Capítulo XXIII



1 de agosto de 1993: Hoje foi o Dia da Corda -- um dia horrível e sangrento, mas inevitável. Hoje a noite, pela primeira vez em semanas, está silencioso e totalmente calmo ao longo de todo o sul da Califórnia. Mas a noite está repleta de horrores silenciosos; de dezenas de milhares de postes de iluminação, de energia, e árvores ao longo desta vasta área metropolitana, formas sinistras balançam.

  Nas áreas iluminadas pode-se ver os corpos em todos lugares. Até mesmo os faróis e sinaleiras das ruas foram utilizados, e em praticamente toda esquina que eu passei esta noite indo para o Quartel General havia um cadáver balançando, quatro a cada cruzamento. Só em um viaduto a apenas uma milha daqui havia um grupo de cerca de 30, todos com as mesmas placas penduradas em seus pescoços, com a legenda: "eu traí minha raça". Dois ou três daquele grupo tinham sido vestidos em roupas acadêmicas antes de serem pendurados, e todos no grupo   aparentemente são membros do campus da faculdade UCLA.
 
  Nas áreas onde ainda não conseguimos restabelecer a energia elétrica os corpos são menos visíveis, mas o sentimento de horror no ar é até pior que nas áreas iluminadas. Eu tive que caminhar por dois longos e apagados quarteirões em uma área residencial entre o Quartel General e meu alojamento depois de nossa reunião com a unidade esta noite. No meio de um dos quarteirões sem energia eu vi o que parecia ser uma pessoa de pé na calçada diretamente na minha frente. A medida que eu ia me aproximando da figura silenciosa, cujas características estavam escondidas debaixo da sombra de uma grande árvore da calçada, ela permanecia imóvel, bloqueando meu caminho.

  Sentindo-me apreensivo, eu saquei meu revólver. Então, quando eu estava a uma dúzia de passos da figura, que estava de frente pra mim, ela começou lentamente a virar de costas. Havia algo muito estranho em seus movimentos, e eu permaneci imóvel enquanto a figura continuou virando. Uma brisa leve balançou as folhagens da árvore, e de repente um raio de luar atravessou pelas folhas e caiu diretamente em cima da forma silenciosa que se virava na minha frente.

  A primeira coisa que eu vi com a luz da lua era uma placa com palavras escritas com letras bem grandes. "Eu sujei minha raça". Sobre ela estava o rosto horrivelmente inchado de uma mulher jovem, seus olhos grandes abertos e inchados, e a boca aberta. Finalmente eu percebi a linha fina e vertical da corda que desaparecia por entre as folhagens acima. Aparentemente a corda tinha deslizado um pouco ou o galho em que havia sido amarrada cedeu,  fazendo a mulher ficar ao nível do chão, dando a aparência de um cadáver que estava de pé.

  Eu tremi um pouco e rapidamente segui meu caminho. Há muitos milhares de outros corpos de mulheres pendurados como esse por toda a cidade esta noite, todas usando placas idênticas em seus pescoços. Elas são as mulheres Brancas que se casaram ou viviam com Pretos, Judeus, ou com outros sub-humanos não-Brancos.

  Também havia vários homens usando a placa "eu sujei minha raça", mas as mulheres superavam-nos facilmente na proporção de 7 ou 8 vezes mais. Por outro lado, aproximadamente 90% dos corpos com a placa "Eu traí minha raça" eram homens, e no número total dos executados, os dois sexos pareciam estar equilibrados.

  Esses que usam o último slogan eram os políticos, advogados, homens de negócios, apresentadores de TV, repórteres e editores de jornais, juízes, professores, funcionários escolares,  "líderes cívis", burocratas, religiosos e todos os outros que, por motivo de carreira, status social, votos, ou o que seja, ajudaram a promover ou implementar o programa racial do Sistema. O Sistema já tinha pago a eles suas 30 moedas de prata. Hoje fomos nós que os pagamos.

  Começou às três horas esta manhã. Ontem foi um dia especialmente violento de revoltas, com Judeus usando megafones transistorizados para incentivar a multidão e os incitar a lançar ovos, pedras e garrafas em nossas tropas. Eles estavam gritando "O racismo tem que acabar" e "igualdade para sempre", e outros slogans que os Judeus tinham lhes ensinado. Me fez lembrar das manifestações em massa na época do Vietnã. Os Judeus têm um dom para coisas como essas.

  Mas pelas três horas da manhã as multidões já tinham terminado sua orgia de violência e cantorias e estavam na cama -- todos exceto alguns grupos de teimosos que tinham montado alto-falantes e estavam transmitindo a rádio do Sistema atingindo até bairros vizinhos, transmissões que alternavam entre "música" rap e rock ensurdecedora e apelos por "fraternidade".

  Esquadrões de nossas tropas com relógios sincronizados apareceram repentinamente em milhares de quarteirões de uma vez só, em cinqüenta bairros residenciais diferentes, e todo líder do esquadrão tinha uma lista longa de nomes e endereços. A música ensurdecedora parou de repente e foi substituída pelo som de milhares de portas sendo arrombadas, com botas chutando-as.

  Estava parecendo a Operação das Armas quatro anos atrás, só que ao contrário -- e o resultado foi muito mais drástico e permanente para os que foram invadidos. Uma de duas coisas acontecia com quem as tropas arrancavam de casa e jogavam nas ruas. Se eles não fossem brancos -- isso incluia todos os judeus e todo o mundo que até mesmo parecece com um pouco de ascendência não-Branca -- eram empurrados em filas enormes e começavam na marcha sem volta para o canyon no norte da cidade. A mais leve resistência ou tentativa de discutir para voltar atrás, ou qualquer movimento lento resultava em uma bala rápida.

  Por outro lado os Brancos eram, em quase todos casos, enforcados naquele mesmo momento. Um dos dois tipos de slogans pré-impressos eram pendurados no peito da vítima, suas mãos fortemente amarradas atrás das costas, uma corda era jogada e amarrada por cima de um galho, poste ou outro ponto alto e laçada ao seu pescoço, e ele era hasteado do chão sem mais cerimônias e abandonado dançando no ar, enquanto soldados seguiam para o próximo nome na lista.

  Os enforcamentos e a formação das filas da morte duraram aproximadamente 10 horas sem interrupção. Quando as tropas terminaram seu trabalho amargo esta tarde e começaram a voltar para seus quartéis, a área de Los Angeles estava completamente pacificada. Os residentes de bairros nos quais nós só poderíamos nos aventurar em um tanque estavam ontem tremendo de medo, trancados em suas casas, com medo até mesmo de serem vistos olhando atrás de suas cortinas fechadas. Ao longo da manhã não havia nenhuma oposição organizada ou grande contra nossas tropas, e antes desta tarde até mesmo qualquer vontade de fazer oposição tinha evaporado.

  Eu e meus homens estávamos no meio das coisas todo o dia, cuidando principalmente de problemas logísticos. Quando os esquadrões de execução começaram a ficar sem corda, nós arrancamos várias milhas de cabos de postes de energia para usar em seu lugar. Nós também juntamos centenas de escadas de mão.

  E nós fomos os que colaram os avisos do Comando Revolucionário em cada quarteirão, advertindo todos os cidadãos que daqui em diante qualquer saque, revolta ou sabotagem, ou qualquer falha em obedecer o comando de um soldado, resultará na execução sumária do infrator. Os avisos também levavam uma advertência semelhante para qualquer um que conscientemente abrigasse um Judeu ou outro não-Branco ou quem deliberadamente provesse falsas informações ou escondesse informações de nossas unidades policiais. Finalmente, eles indicavam o ponto em cada bairro para o qual toda pessoa, cuja data e hora seriam determinadas, dependendo da posição de seu nome no alfabeto, deveria se apresentar para inscrição e tarefas em uma unidade de trabalho.

  Eu quase entrei numa briga de tiroteio com um chefe de companhia perto da prefeitura esta manhã, mais ou menos às nove horas. Era pra lá que estávamos levando todos os figurões para serem enforcados: os políticos famosos, vários atores e atrizes de Hollywood, e várias personalidades da TV. Se nós os tivéssemos enforcado na frente de suas casas como todos os outros , só algumas pessoas teriam visto, e nós queríamos que o seu exemplo fosse muito mais instrutivo para uma audiência muito maior. Pela mesma razão muitos dos padres em nossas listas foram levados a três igrejas grandes onde tínhamos equipes de TV montadas para transmitir suas execuções.

  O problema era que muitos dos grandes alvos já estavam chegando à prefeitura mais mortos que vivos. As tropas nos caminhões de transporte estavam lhes dando realmente uma lição.

  Uma atriz famosa, notória misturadora de raça  que tinha estrelado em várias super-produções, épicos de "amor" inter-raciais, tinha perdido a maior parte dos cabelos, um olho, e vários dentes -- sem mencionar suas roupas -- antes da corda ser posta ao redor do seu pescoço. Ela estava toda arranhada e sangrando. Eu não teria descoberto quem ela era se não tivesse perguntado. Eu pensei, qual seria o ganho em moral estar enforcando-a publicamente se o público não pudesse reconhecê-la e tirar as próprias conclusões entre seu comportamento anterior e sua punição?

  Eu fui atraído por um tumulto próximo a um dos caminhões que tinha acabado de chegar. Um homem velho e muito gordo, que eu reconheci imediatamente como o juiz Federal que tinha dado causa a algumas das decisões mais ultrajantes do Sistema no ano passado -- incluindo a que dava o direito de prisão garantido concedido ao Conselho de Relações Humanas para seus agentes Pretos -- estava resistindo aos esforços das tropas de arrancar seus pijamas e vesti-lo em seu roupão de juiz.

  Um dos soldados o derrubou, e então quatro outros começaram a chutá-lo e bater repetidamente em seu rosto,  estômago e virilha com o cabo de seus rifles. Ele ficou inconsciente, e talvez já morto, quando a corda foi colocada em seu pescoço e sua figura flácida foi hasteada quase a meio caminho para cima de um poste de iluminação. Um camera-man de TV estava registrando a cena inteira e transmitindo isto ao vivo.

  Eu fiquei completamente enojado com este incidente e por vários outros de natureza semelhante, e eu procurei o oficial encarregado das tropas para dizer minha reclamação. Eu lhe perguntei por que ele não estava mantendo a disciplina entre seus próprios homens, e eu lhe disse em termos fortes que espancar os prisioneiros não traria resultados satisfatórios, muito pelo contrário, isso era contraproducente.

  Nós temos que manter uma imagem pública de força e extrema intransigência e inflexibilidade ao lidar com os inimigos de nossa raça, mas se comportar como uma gangue de Ugandenses ou  Porto-riquenhos dificilmente manteria essa imagem. (Nota para o leitor: Uganda era uma subdivisão política do continente Africano durante a Velha Era, quando esse continente ainda era habitado pela raça Negra. Porto Rico era o nome na Velha Era da ilha de New Carolina. Esta está agora ocupada pelos descendentes de refugiados Brancos das áreas radioativas do sudeste dos Estados Unidos, mas antes da limpeza racial nos dias finais da Grande Revolução era habitada por uma raça de miscigenados de caráter especialmente repugnante).

  Acima de tudo nós temos que nos mostrar como disciplinados, desde que estamos exigindo disciplina rígida por parte da população civil. Nós nunca devemos dar abertura a nossos sentimentos de frustração ou nossos ódios pessoais mas temos que mostrar a toda hora com nosso comportamento que o que nós estamos fazendo está servindo a um propósito mais alto.

  O capitão explodiu. Ele gritou me mandando cuidar da minha própria vida. Quando eu insisti que eu estava cuidando do que era responsabilidade minha, ele ficou vermelho de raiva e disse que ele, não eu, era o que tinha a responsabilidade e que ele estava fazendo o melhor que podia sob de circunstâncias muito difíceis.

  Ele apontou corretamente o fato de que a Organização tinha substituído quase metade de seus homens com recém-chegados absolutamente destreinados no último mês, e assim não deveria ser surpreendente pra mim que a disciplina não era tudo aquilo que poderia ser. Ele também me disse que ele sabia o suficiente sobre a psicologia de seus homens para entender o valor de deixá-los bater nos prisioneiros como um modo de mostrar para si mesmos que os prisioneiros eram seus inimigos e mereciam ser enforcados.

  Eu realmente não pude me opor a qualquer um dos argumentos do capitão, mas eu notei com um pouco de satisfação que quando ele me deu as costas e andou um pouco, começou furiosamente a reclamar com um grupo de soldados que estavam brutalmente espancando um cara jovem, cabeludo, de "look" afeminado vestido em um bizarro "modelo" -- um cantor de "rock" muito popular -- e ordenou que eles parassem.

  Pensando nisto eu comecei a ver coisas mais do ponto de vista do capitão. Claro que, nós temos que apertar a disciplina o mais que possamos, mas no momento é melhor para nós termos mais confiança na política e menos disciplina entre as tropas. Nós atrasamos nossa ofensiva na população civil como fizemos apenas para que pudéssemos afastar e desarmar os GI's questionáveis e os substituir com pessoas novas que têm atravessado as linhas inimigas para unirem-se a nós.

  Também nós queríamos tempo para acostumar as tropas à nova ordem das coisas aqui e lhes dar pelo menos uma pequena preparação ideológica para o trabalho de hoje. E nós deixamos de propósito os civis ficarem mais fora de controle, porque só assim nós teríamos uma desculpa para manifestar medidas tão radicais em vez de meias-medidas, que não poderiam resolver o problema civil a longo prazo.

  Uma outra razão para isso é que nós precisamos de tempo para terminar de montar nossas listas de prisões. Por vários anos membros da Organização aqui, da mesma maneira que em outras partes do país, tem construído seus dossiês de puxa-sacos do Sistema, ajudantes de Judeus, teóricos da igualdade, e outros Brancos criminosos contra sua raça, junto com os endereços de todos os não-Brancos que residiam em áreas predominantemente Brancas.

  Nós poderíamos usá-los, principalmente o último, porque foram mantidos bastante atualizados até mesmo durante o último mês, sem modificação. Mas os dossiês requerem uma enorme avaliação e análise. Em primeiro lugar havia muitos deles.

  Por exemplo, uma família Branca pode ter um dossiê como traidores da raça porque um vizinho tinha visto um Preto uma vez num coquetel na casa deles ou porque eles exibiram um adesivo "Igualdade Agora",  que foram distribuídos tão amplamente pelos Conselhos de Relações Humanas. Em geral, a menos que houvesse outras evidências realmente importantes em um dossiê, estas pessoas não iriam ser postas na lista de prisão. Caso contrário, nós teríamos que enforcar mais de 10 % da população branca -- uma tarefa totalmente impraticável.
 
  E até mesmo se pudéssemos enforcar toda essa gente, não haveria nenhuma boa razão para isto; a maioria desses 10 % não são piores do que os outros 90 %. Eles foram lavados-cerebralmente; eles são fracos e egoístas; eles não têm nenhum senso de lealdade racial -- mas tudo isso é uma verdade na maioria das pessoas hoje em dia. As pessoas são o que se tornaram, e nós temos que aceitar isso -- como um ponto de partida.

  De fato, tem sido uma verdade através da história que só pequenas porções de uma população são boas ou más. A grande massa é moralmente neutra -- incapaz de distinguir o absoluto certo do absoluto errado -- e eles seguem a posição de quem quer que esteja por cima no momento.

  Quando homens bons, geneticamente valiosos, íntegros e superiores são os dirigentes e os programadores de uma sociedade, a população reflete isto como um todo, e as pessoas sem originalidade ou senso moral de direção próprias apoiarão fervorosamente os objetivos mais elevados da sociedade. Mas quando os homens malignos regem, como foi por muitos anos o caso da América, a maioria da população cai em degeneração do pior tipo e irão voluntariamente repetir como papagaios toda idéia imunda e destrutiva que eles foram ensinados.

  A maioria dos juízes hoje, a maioria dos professores, atores, figuras civis, etc., não estão sendo conscientemente e deliberadamente maus, ou até mesmo cínicos, seguindo o exemplo ensinado pelos Judeus. Eles pensam de si mesmos como sendo "bons cidadãos", da mesma maneira que eles estariam pensando de si mesmos se eles estivessem agindo dentro uma maneira diametralmente oposta, sob à influência de bons líderes.
 
  Portanto, não há nenhuma razão para matar todos eles. Esta fraqueza moral terá que ser geneticamente erradicada de nossa raça através de centenas de gerações. Agora para nós é suficiente eliminarmos a parte conscientemente má da população -- mais de algumas centenas de milhares de nossos "bons cidadãos" por todo o país, como um exemplo para o resto. O enforcamento de alguns dos piores traidores da raça em todo bairro na América ajudará enormemente a endireitar a maioria da população e reorientar sua forma de pensar. De fato, não só ajudará, mas é absolutamente necessário. As pessoas precisam de um forte choque psicológico para quebrar velhos hábitos de pensamento.

  Eu entendo tudo isso, porém eu tenho que admitir que fiquei preocupado com algumas das coisas que eu testemunhei hoje.

  Quando as prisões começaram o público não percebeu o que estava acontecendo, e muitos cidadãos estavam atrevidos e abusivos. Eu estava presente logo antes do amanhecer quando os soldados tiraram uma dúzia de jovens de uma grande casa próxima a um dos campus universitários, e eles, como também seus companheiros de casa que não tinham sido presos, começaram a gritar obscenidades e a cuspir em nossos homens. Todos, menos um deles, eram Judeus, Pretos, ou Mestiços de vários tipos, e dois dos mais barulhentos deles foram imediatamente fuzilados ali mesmo, enquanto os outros foram arrebanhados em uma fila em marcha.

  A última era uma menina Branca, de cerca de 19 anos, um pouco flácida mas ainda bonita. Os tiros tinham a acalmado o bastante de forma que ela já não estava gritando mais "Porcos Racistas!" aos soldados, mas quando as preparações para o seu enforcamento a acordaram sobre seu próprio destino, ela ficou histérica. Informada de que ela estava a ponto de pagar o preço por sujar e desonrar sua raça vivendo com um amante Preto, a menina se queixou: "Mas por que eu?"

  Como a corda ao redor de seu pescoço, ela choramingou, "Eu só estava fazendo o que todo o mundo estava. Por que você está me escolhendo? Não é justo! E sobre Helen? Ela também estava dormindo com ele". Logo após esse último clamor antes da respiração da menina ser cortada para sempre, um das outras meninas (presumivelmente Helen) no grupo de espectadores, agora silenciosos no gramado, encolheu para trás em terror.

  Claro que ninguém respondeu a pergunta da menina, "Por que eu?" A resposta simplesmente era que o nome dela aconteceu de estar em nossa lista e o de Helen não. Não há nada "justo" nisso -- ou injusto. A menina que foi enforcada mereceu o que ela teve. Helen provavelmente merece o mesmo destino -- e ela deve estar sofrendo terríveis tormentos agora, com medo de ser descoberta eventualmente e forçada a pagar o mesmo preço que a amiga dela pagou.

  Este pequeno episódio me ensinou algo sobre terror político. Sua grande arbitrariedade e imprevisibilidade são aspectos importantes de sua eficácia. Há muitas outras pessoas na mesma situação de Helen, cujo medo de que um raio possa os golpear a qualquer momento irá fazê-los andar sobre ovos, e os manterá na linha.

  O aspecto melancólico do episódio é resumido no lamento da menina, "eu estava fazendo o que todo o mundo estava". Isso é um pouco de um exagero, mas é verdade que se outros não tivessem dado mau exemplo para ela, provavelmente a menina não teria se tornado uma traidora da raça. Ela pagou tanto pelos pecados dos outros como pelos seus próprios. Agora eu percebo mais do que nunca como é essencial que nós instalemos em toda a nossa gente uma base moral nova, um novo conjunto de valores fundamentais, de forma que as pessoas já não sejam moralmente soltas à deriva como aquela infeliz menina -- e como a grande maioria dos americanos é hoje.

  Esta total falta de qualquer moralidade saudável ou natural me chocou novamente no caminho pra casa logo antes do meio-dia. Soldados estavam enforcando um grupo de cerca de 40 urbanistas e corretores de imóveis do lado de fora dos escritórios da "Associação de reurbanização do Município de Los Angeles". Eles todos tiveram participação em um programa especial que fazia taxas de hipoteca mais baixas disponíveis para famílias racialmente misturadas comprarem casas em bairros predominantemente Brancos. Um dos corretores era um branco forte e corado, bem-apessoado, de cerca de 35 anos com cabelos loiros e bem cortados. Ele estava se defendendo veementemente: "Merda, eu nunca concordei com essa bosta nojenta de mistura racial. Me faz embrulhar o estômago ver estas famílias misturadas com seus pirralhos mestiços. Mas um homem tem que ganhar a vida. O urbanista chefe do município me disse que seria muito mais fácil evitar violações de código de construção para os agentes imobiliários que aderissem ao programa especial de hipoteca".

  Sem perceber, ele estava nos dizendo que uma renda maior era mais importante do que lealdade racial no seu conjunto de valores -- algo que infelizmente também é verdade para muitos outros que não foram enforcados hoje. Bem, ele fez livremente sua escolha, e ele dificilmente merece algum perdão.

  Os soldados não discutiram com ele, claro. Quando a vez dele chegou, eles os enforcaram da mesma maneira e com a mesma imparcialidade que tinham demonstrado, na frente dos outros que haviam aceito seus destinos em silêncio. Os soldados tinham ordens de não discutir ou explicar qualquer coisa a ninguém, exceto uma breve declaração da razão pela qual a pessoa estava sendo enforcada. Nem mesmo os protestos mais convincentes de inocência  ou aquele "deve haver algum engano!!" fez com que eles hesitassem por algum momento. Certamente, nós devemos ter cometido alguns enganos hoje -- identidades trocadas, endereços errados, falsas acusações -- mas uma vez que as execuções tinham começado não havia modo de admitir a possibilidade de enganos. Nós criamos uma imagem de inflexibilidade na mente pública.

  E aparentemente nós tínhamos convencido muito bem. Nossos esquadrões de execução estavam voltando aos quartéis esta tarde quando começamos a receber relatórios de que por toda parte da cidade parecia haver uma onda súbita de assassinatos e espancamentos. Cadáveres, a maioria deles feridos à punhaladas, estavam sendo achados em calçadas, ruelas, e corredores de prédios de apartamentos. Várias pessoa feridas -- várias centenas ao todo --  foram recolhidas nas ruas por nossas patrulhas.
Embora houvesse alguns Pretos entre estas vítimas espancadas e apunhaladas, nós percebemos rapidamente que a grande maioria deles eram Judeus. Todos eram aparentemente indivíduos que nossos esquadrões de execução tinham esquecido, mas os cidadãos não.

  Interrogando vários Judeus que tinham sido espancados logo revelou que alguns deles estavam se escondendo com famílias Gentias. Depois que nossos avisos foram espalhados, porém, seus protetores lhes viraram as costas e os jogaram nas ruas. Grupos de vigilantes locais armados com facas e outras armas tinham pego alguns que nem mesmo estavam em nossas listas.

  Eu estou certo de que, sem a enérgica lição deste Dia da Corda, nós não teríamos obtido este tipo de cooperação dos cidadãos tão depressa. Os enforcamentos ajudaram todo mundo a sair de cima do muro bem rápido.

  Amanhã a tarde alguns de meus homens começarão a organizar batalhões de trabalho civil para recolher os cadáveres e levá-los para o local de despejo que eu já determinei. Levará três ou quatro dias provavelmente para remover todos os corpos -- entre 55 e 60 mil deles -- e neste tempo quente será bastante desagradável no final.

  Mas que sentimento de alívio, pelo fato de que toda a parte negativa de nossa tarefa aqui finalmente terminou! De agora em diante tudo será para cima -- no bom sentido: reorganizar, reeducar e reconstruir esta sociedade inteira.



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